A cefaleia é um sintoma caracterizado por dor na região da cabeça, couro cabeludo ou pescoço. Em crianças, é um dos motivos mais comuns de consulta com neurologista infantil. Ela pode se manifestar de formas variadas, desde dores leves e esporádicas até quadros mais intensos e incapacitantes.
As cefaleias na infância se dividem, principalmente, em dois grandes grupos: primárias, quando não há nenhuma outra doença associada (como enxaqueca e cefaleia do tipo tensional), e secundárias, quando a dor está relacionada a alguma causa específica (como infecções, problemas oculares, sinusite ou até alterações neurológicas mais graves).
Segundo a Sociedade Internacional de Cefaleia (IHS), para classificar e tratar corretamente a dor de cabeça, é fundamental entender suas características, frequência, duração e sintomas associados.
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Como investigar?
– Avaliação médica especializada:
A investigação deve começar com uma consulta detalhada com pediatra ou neuropediatra. A descrição da dor feita pela criança (quando possível) e pelos responsáveis é essencial: onde dói, há quanto tempo, com que frequência, qual a intensidade, se há náuseas, vômitos, sensibilidade à luz ou sons, entre outros sinais.
É importante observar se a cefaleia interfere nas atividades diárias, como escola, brincadeiras e sono.
– Exames complementares:
A maioria das cefaleias em crianças é do tipo primário e não requer exames. No entanto, exames de imagem como ressonância magnética ou tomografia de crânio podem ser solicitados em casos com sinais de alarme, como:
• Dor que acorda a criança à noite ou é muito intensa ao despertar;
• Vômitos em jato, alterações na visão ou comportamento;
• Alterações neurológicas no exame físico;
• História familiar de doenças neurológicas graves.
Exames oftalmológicos e laboratoriais também podem ser indicados em alguns casos para excluir causas secundárias.
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Como é realizado o tratamento?
O tratamento da cefaleia na infância depende do tipo, da frequência e da gravidade das crises. Ele pode incluir:
• Mudanças no estilo de vida: sono adequado, alimentação regular, hidratação, prática de atividade física e manejo do estresse;
• Uso de analgésicos comuns (como paracetamol ou ibuprofeno) nas crises, sempre com prescrição médica;
• Profilaxia medicamentosa: indicada em casos de cefaleia frequente ou incapacitante, com medicamentos que ajudam a reduzir a frequência e intensidade das crises;
• Terapias complementares: psicoterapia, técnicas de relaxamento e fisioterapia podem ajudar em casos com componente emocional ou postural.
A orientação da família e da escola é fundamental para identificar fatores desencadeantes e adotar medidas preventivas. Estímulos como jejum prolongado, excesso de telas, barulho, estresse emocional e privação de sono devem ser evitados.
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Quando se preocupar?
– Dores de cabeça que pioram progressivamente;
– Cefaleia associada a febre, rigidez na nuca, vômitos em jato ou alteração da consciência;
– Mudanças no comportamento, queda no rendimento escolar ou alterações motoras;
– História familiar de doenças neurológicas graves.
Em qualquer uma dessas situações, a criança deve ser avaliada com urgência por um especialista.
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A cefaleia infantil é comum e, na maioria das vezes, benigna. Com avaliação adequada, tratamento individualizado e orientação da família, é possível controlar os sintomas e garantir qualidade de vida para a criança. Estar atento aos sinais, evitar automedicação e buscar ajuda médica são atitudes essenciais.
Dra. Ana Carolina Macedo
Neurologista infantil