Epilepsia 

O que é? 

“Epilepsia é um distúrbio cerebral caracterizado pela predisposição persistente em gerar crises epilépticas e pelas consequências neurobiológicas, cognitivas, psicossociais desta condição. A definição de epilepsia requer a ocorrência de pelo menos uma crise epiléptica.”  

ILAE – Liga Internacional Contra a Epilepsia 

Como investigar? 

– Avaliação médica especializada: 

O diagnóstico deve ser feito por um neurologista ou neuropediatra. A história clínica detalhada, incluindo relatos das crises (como ocorreu, quais foram as manifestações, duração do episódio), é essencial. 

– Exames complementares: 

Eletroencefalograma (EEG) para avaliar a atividade elétrica cerebral; 

Ressonância magnética do crânio para identificar possíveis lesões no cérebro que podem estar relacionadas as crises convulsivas; 

Exames laboratoriais e metabólicos investigam causas secundárias, como infecções, erros inatos do metabolismo; 

Exames genéticos são usualmente solicitados para investigar síndromes, crianças com história familiar de epilepsia, casos graves com baixa resposta ao tratamento.  

Como é realizado o tratamento?  

O tratamento da epilepsia é feito com medicamentos antiepilépticos (MAEs) e pode incluir cirurgia, dispositivos ou mudanças na dieta (dieta cetogênica). A decisão do tratamento é individualizada e depende de vários fatores, como a gravidade, frequência, o tipo das crises, a resposta aos medicamentos e a presença ou não de contra indicações. 

O tratamento medicamentoso tem por objetivo reduzir a frequência e intensidade das crises e evitar as descargas elétricas cerebrais anormais. Devemos monitorar possíveis efeitos colaterais da medicação e realizar exames laboratoriais regularmente.  

Os pais e a escola devem ser instruídos sobre a condição, o tratamento, forma de agir durante uma crise e sobre a importância de supervisionar atividades que podem representar risco ao paciente com crises convulsivas (atividades na água, trilhas ou eventos em locais altos com risco de queda). Também devem ser orientados sobre situações que levam a piora das crises – descontinuação inadequada da medicação, exposição solar intensa com desidratação, infecções, febre, uso de álcool, privação do sono, entre outros. 

Como agir diante de uma crise?  

– Mantenha a calma e proteja a criança 

Coloque-a em um local seguro, afastando objetos ao redor. 

Deite-a de lado para facilitar a respiração. 

–  Não tente conter os movimentos ou introduzir objetos na boca 

Segurar a criança pode causar lesões. 

Colocar objetos na boca pode obstruir a respiração. 

Não devemos oferecer alimentos ou água durante a crise. 

– Cronometre a duração da crise 

Crises que duram mais de 5 minutos são uma emergência médica. 

Se a crise for prolongada ou a criança não recuperar a consciência, chame o SAMU (192). 

– Após a crise, ofereça apoio e conforto 

A criança pode ficar confusa ou sonolenta. 

Evite assustá-la e explique o que aconteceu de forma tranquila. 

A epilepsia é uma condição tratável, e o acompanhamento médico adequado permite o controle das crises e uma boa qualidade de vida. Identificar corretamente as crises, seguir o tratamento indicado e saber agir em situações de emergência são fundamentais para garantir a segurança e o bem-estar do jovem.